Especialistas ressaltam que, para evitar o retorno do problema, obras devem ser realizadas nas nascentes dos rios

Conservação
O Parque das Nações Indígenas é um dos maiores espaços urbanos do País: abrange 119 hectares e está ligado ao Parque Estadual do Prosa, unidade de conservação que preserva as nascentes do Córrego Prosa.
Temporário
O engenheiro ambiental Moacir Lacerda aponta que em razão da falta de destinação dos resíduos de outros lagos e reservatórios da Capital, eles chegam ao lago menor do Parque das Nações Indígenas, o que acaba resultando nos bancos de areia que retornam ao local.
“Esse processo é tirar uma areia daqui e colocar em outro lugar: é uma solução temporária, não adianta fazer a limpeza do lago maior e não resolver a raiz do problema. Estamos resolvendo de maneira superficial. É preciso estar atento aos problemas na bacia”, apontou.
Magalhães aponta que os lagos do parque, assim como outros existentes na cidade, são artificiais, e o assoreamento afeta a flora, microfauna e animais como capivaras, quatis e peixes que viviam no espaço.
“Essa alternativa salva o lago, mas exige vários processos que agridem o meio ambiente do local. Com o desassoreamento, a vida aquática do local é perdida, além de afetar a fauna e a flora. O ambiente é degradado e temos muitas perdas, o impacto é bem grande para o meio ambiente”, esclareceu.
Em 2019, a recuperação dos lagos do Parque das Nações Indígenas exigiu investimento de R$ 8 milhões, com recursos da prefeitura (R$ 5 milhões) e do governo do Estado (R$ 3 milhões), o que, de acordo com especialistas, não foi eficiente, afinal, o problema é recorrente.
“Infelizmente tivemos gasto do dinheiro público sem buscar uma solução adequada, tanto que o problema retornou. Devemos buscar soluções de maneira macro, caso contrário teremos novas intervenções a curto prazo”, explicou Magalhães.
RECORRENTE
O processo de desassoreamento dos lagos do parque é recorrente. Em junho de 2019, foram iniciadas as obras para impedir que sedimentos continuassem sendo carregados ao local e outras ações de desassoreamento nos dois lagos. As intervenções foram realizadas pelo governo do Estado, em parceria com a Prefeitura de Campo Grande.
No total, foram retirados 135 mil metros cúbicos de areia, em uma operação que exigiu 12.500 viagens de caminhão até o local de descarte, nos fundos do Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante e População de Rua (Cetremi).
Do lago principal, que se espalha por cinco hectares, foram retirados aproximadamente 115 mil metros cúbicos de areia, o que exigiu 11 mil viagens de caminhão. O trabalho no lago menor durou 15 dias, de onde foram retirados 15.474 metros cúbicos de areia, exigindo 1.500 viagens de caminhão.
Retenção
Para tentar conter a situação de assoreamento dos lagos do parque, o governo do Estado está responsável pela obra de contenção no Córrego Joaquim Português, que se encontra com outro córrego ainda dentro do Parque Estadual do Prosa e forma o Córrego Prosa.
Ao Correio do Estado, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, esclareceu que, para resolver o aumento de sedimentos no lago menor, estão sendo feitas obras de retenção, que devem ser concluídas nos próximos três meses.
“O lago menor é um lago de retenção, aquela estrutura foi construída para reter areia, temos agora a obra no Joaquim Português, que está paralisada porque estamos desapropriando o outro lado. Com isso teremos a retenção da área, com esse canal conseguiremos resolver essa situação”, afirmou.
O investimento para as intervenções será de R$ 4.765.214,44, com recursos oriundos de compensação ambiental. A Prefeitura de Campo Grande é responsável pela obra de contenção de enchentes no Córrego Réveillon, próximo da Avenida Mato Grosso e da Avenida Hiroshima, e o projeto tem como objetivo controlar o avanço das erosões.
Conforme o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, o projeto de execução está pronto e deve ser licitado nos próximos dias.
- fonte: Correio do Estado
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