Jovens se afastam da política partidária, mas ampliam atuação social, diz conselheiro da juventude

Pedro Urbieta no estúdio do Grupo Hora. Foto: Maria Luiza Massuki

Às vésperas das eleições gerais de 2026, que vão definir os próximos presidente da República, governadores, senadores e deputados, um dado chama a atenção: os jovens brasileiros estão cada vez mais distantes da política partidária. Pesquisas apontam uma queda no interesse pela participação política formal e um aumento da desconfiança em relação aos partidos.

Entre os fatores que explicam esse cenário está o descrédito nas instituições políticas. Um levantamento da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, realizado em 14 países, revelou que 57% dos jovens brasileiros não confiam nos partidos políticos.

Além da falta de confiança, especialistas apontam o distanciamento entre os jovens e a educação política. Para o professor e cientista político da Universidade de São Paulo (USP), José Álvaro Moisés, a ausência de espaços de formação e debate sobre cidadania contribui para o desinteresse pela participação na vida política.

Os números refletem esse comportamento. Uma pesquisa do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), mostra que a filiação de pessoas entre 16 e 34 anos a partidos políticos caiu 54% entre 2010 e 2026.

Em Campo Grande, o Conselho Municipal da Juventude busca enfrentar esse cenário aproximando os jovens do poder público e estimulando o protagonismo juvenil. Em entrevista ao Jornal da Hora, o presidente executivo do Conselho, Pedro Urbieta, afirmou que o objetivo é ampliar a participação da juventude na construção de políticas públicas voltadas às suas necessidades.

“Nós estamos tentando chegar na ponta. Onde está o jovem? Dentro das suas comunidades, dentro da periferia, de um projeto social, de uma igreja, de uma instituição, de qualquer tipo, também dentro das aldeias. Nós temos jovens na zona rural e precisamos saber a demanda que ele tem e linkar esse problema que ele encontra com a solução diante do poder público”, afirma.

O presidente afirma ainda que enquanto esse envolvimento partidário diminui, os jovens se conectam cada vez mais com movimentos sociais e filantrópicos.

Assista a entrevista na íntegra:

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