Novo delegado-geral da Polícia Civil de MS deve ser definido nesta segunda-feira

Após incidente no trânsito, delegado-geral Adriano Garcia deixou o cargo

Delegado-geral atirou em três pneus de carro de mulher de 24 anos – Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Após um incidente de trânsito envolvendo o delegado-geral Adriano Garcia Geraldo e uma jovem de 24 anos que teve três pneus do carro estourados por tiros disparados pelo policial resultar em seu pedido de demissão na sexta-feira (18), o nome de quem assumirá o cargo deve ser decidido pelo governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), nesta segunda-feira (21).

Ao Correio do Estado, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, afirmou que uma reunião para a definição de um nome para assumir o comando da Polícia Civil em MS já está programada para amanhã. 

“Precisamos acertar alguns detalhes, o governador já está estudando quem será o novo sucessor ou sucessora, e a nossa intenção é já fechar o novo nome amanhã mesmo”, salientou.  

Desde o pedido de demissão de Garcia, a delegada adjunta Rozeman Geise Rodrigues de Paula assumiu o cargo até decisão do governo do Estado. 

Com o nome envolvido em pelo menos dois escândalos nos últimos três meses, Geraldo já acertou pontos de sua saída, de acordo com o secretário Videira.

“Já conversei com ele, ainda temos alguns pontos a acertar. Mas agora, é uma questão dele se reunir com o seu próprio pessoal e resolver alguns pontos [de sua saída] do comando da Polícia Civil”, disse o titular da Sejusp.

Ao saber da notícia, a jovem de 24 anos disse que já estava enxergando a “justiça sendo feita” e que sentia-se aliviada com a saída do delegado. 

O Correio do Estado, em primeira mão, publicou em seu Portal, na manhã de sexta-feira, que o episódio havia derrubado o diretor-geral.

No mesmo dia, a confirmação manifestou-se por meio de um comunicado, assinado por Adriano Geraldo, enviado para o governador Reinaldo Azambuja. 

O delegado, chefe da Polícia Civil de MS, escreveu que, “em caráter irrevogável e irretratável” e por motivos sucintamente expostos, pedia a “dispensa da função ora exercida”.

Embora o delegado-geral tenha pedido dispensa, era quase certa sua saída da direção da Polícia Civil. 

É que assim que a Corregedoria da PC abrisse investigação acerca do episódio que o envolveu, por regra, o delegado deveria ser afastado da função de chefia. 

Foi o que disseram as fontes especializadas no assunto, ouvidas pela reportagem.

Além da Corregedoria, o caso também já é investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

O Caso

Na quarta-feira à noite, na Avenida Mato Grosso, em Campo Grande, o delegado-geral de MS perseguiu uma jovem de 24 anos, no trânsito, depois de se irritar com o carro dela, cujo motor apagou em um sinaleiro.

O delegado, que estava atrás do carro da jovem, buzinando, irritou-se ainda mais depois que a mulher, já zangada com o barulho e tentando religar o carro, mostrou o dedo médio para ele. O gesto perturbou o policial, que quis abordar ali mesmo a motorista.  

Houve perseguição, que terminou na calçada de uma escola de idiomas. 

Antes do fim do encalço, contudo, Adriano Garcia Geraldo, o chefe dos policiais civis de MS, que estava em um Hyundai Elantra descaracterizado, furou – à bala – os três pneus do carro da jovem, apontou a arma para ela e, ainda, mobilizou pelo menos sete outros policiais civis e militares em um intervalo de apenas dois minutos.

Acuada, a moça resistiu a sair do carro, enquanto o delegado gesticulava, demonstrando descontrole, mostram as imagens captadas da cena, que devem ser juntadas às investigações de Polícia Civil, Corregedoria e MPMS.

A jovem disse ao Correio do Estado que se assustou com os tiros e a perseguição, afinal, ela “jamais” pensou em se tratar de policial, que conduzia um carro descaracterizado. 

* Colaborou Celso Bejarano

  • fonte: Correio do Estado