Restrições de duas semanas ainda não produziram efeito

As duas semanas de restrições e isolamento para tentar conter o avanço da Covid-19 em Mato Grosso do Sul ainda não tiveram o efeito esperado. Segundo os boletins divulgados diariamente pelo governo, o Estado registrou uma leve diminuição de casos, mas com estabilidade nas internações e os números de mortes no maior patamar registrado.  

O titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Geraldo Resende, diz que a previsão, apesar das medidas restritivas, é de que abril também não traga bons números para a pandemia.

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“Nós já sabemos que esse novo mês vai ser um mês terrível, com mais de 50 óbitos por dia em média, refletindo nossa taxa de contaminação de 1.9, maior do que já tínhamos dias atrás, apesar de decretos, restrições e toque de recolher, mostrando que a população está pouco ligando e aderindo ao que estamos falando há mais de um ano”.  

Desde o dia 22 de março, Mato Grosso do Sul decretou a antecipação de feriados, com uma semana restringindo o comércio e outras atividades, além do toque de recolher funcionando das 20h às 5h, de segunda a sexta-feira, e das 16h às 5h, sábados e domingos.  

“Já estou cético a medidas restritivas, pode ser a mais dura, não vamos ter adesão da população. Tem de trocar essa e colocar a de outro lugar que tenha uma compreensão melhor da doença para ver se melhora, porque aqui falta empatia, consciência e responsabilidade das pessoas, não só consigo, mas com seus familiares e vizinhos”, reclamou Geraldo.  

O domingo registrou o último dia das restrições no Estado, no entanto, pouca mudança é vista no quadro de contaminação, internação e óbitos causados pelo Covid-19.  

Mais otimista, o secretário de Saúde de Campo Grande, José Mauro de Castro Filho, pensa que a diminuição na contaminação será sentida ainda essa semana, mas os outros quadros ainda devem demorar. “Nós vamos sentir uma diminuição agora essa semana, mas a consequência na internação e nos óbitos só na segunda ou na terceira semana”.  

De acordo com a infectologista Mariana Croda, a baixa adesão da população e pouco tempo das restrições reflete na estagnação de casos. “A gente sabe que não vai conseguir diminuir muito. Sabíamos que esse período de quase fechamento era curto, ainda mais sem a adesão das pessoas, que é o mais importante”.  

CENÁRIO INIMAGINÁVEL

Para a especialista, o cenário atual era inimaginável no início da pandemia. “Lembro que na primeira onda, quando a gente chegou ao recorde de 36 mortes por dia, jamais imaginava que hoje teríamos uma média móvel de 50 mortes e quase 1.500 casos diariamente. Agora é tentar lidar com as consequências. A gente abre leito e vê até onde aguenta”, lamentou.  

A infectologista reforça ainda, que os números registrados estão longe de serem os reais.  

“Os municípios têm mais de seis mil casos para fazer fechamento, então ainda nem estamos vendo todos os casos reais. É muito difícil fazer uma previsão para os próximos dias, mas a gente acredita que se não tem medida, não tem diminuição. Podemos não aumentar, mas vamos continuar com essas médias altíssimas”, concluiu.  

No último dia de março, o Estado bateu o recorde na média móvel de óbitos, com 51,9 mortes. No dia 1°, Mato Grosso do Sul chegou à média móvel de 1.498 casos, um recorde de toda a pandemia.  

Já o recorde histórico de internados em relação à média móvel foi batido um dia depois, em 2 de abril, com 1.316 pessoas internadas por Covid-19.  

Desde sábado, é possível notar uma leve diminuição dos casos, com 87 registros a menos em relação aos dois dias anteriores. Ontem, a média móvel de casos estava em 1.334.

O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende finaliza dizendo que a vacinação é o único caminho para diminuição efetiva dos números.  

“Nós estamos tendo uma boa resposta em pessoas já imunizadas com mais de 80 anos – que tomaram as duas doses da vacina – após 15 dias. Só assim vamos ver diminuição na contaminação, internações e mortes”, defendeu.  

Mato Grosso do Sul já recebeu 576.510 doses das vacinas contra o coronavírus. Segundo dados do boletim Covid-19, 12,84% da população já foi imunizada com a primeira dose e 3,66% com a segunda, com 463.694 doses aplicadas ao total. As cidades do Estado com maior porcentual de aplicação de doses na fase 1 de vacinação são Jateí (104,55), Pedro Gomes (104,42) e Alcinópolis (102,22).

DADOS  

Ontem, Mato Grosso do Sul tinha 6.971 casos sem encerramento pelos municípios, ou seja, represados.  

A média móvel de casos era de 1.334,3 confirmados nos últimos 7 dias, e foram acrescidos mais 1.484 episódios apenas ontem. Ao todo, 223.209 foram confirmados desde o início da pandemia no Estado.  

A semana passada bateu recordes de mortes, com 347 registros. Ao todo, 4.571 pessoas já perderam a vida no Estado, 58 só ontem. O número de recuperados está em 203.050.  

Até ontem, 1.299 pessoas estavam internadas, sendo 737 em leitos clínicos e 562 em unidades de terapia intensiva (UTIs).  

Ontem, 147 pessoas esperavam por um leito em Mato Grosso do Sul. Campo Grande está com 113% de sua ocupação global e segue sendo a cidade mais afetada pela pandemia no Estado, seguido por Dourados, Corumbá, Três Lagoas e Naviraí.

  • Fonte: Correio do Estado