Segundo Jaime Verruck, os incêndios no pantanal estão sendo monitorados, tendo três focos em alerta

Em entrevista a Rádio Hora, Jaime Verruck ressalta que a legislação não permite usinas no alto do pantanal

O Jornal da Hora desta quinta-feira (24) entrevistou o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico do governo de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck. O pauta abordada foi sobre as queimadas no pantanal e o impacto da pandemia na economia do estado.

Em setembro deste ano, foi registrado o maior foco de incêndio no bioma do pantanal, julho e agosto também registraram maiores números de queimadas. De acordo com secretário, em Mato Grosso do Sul foram registrados 1,2 milhões de hectares de áreas queimadas. “Temos um recorde desde o mês de janeiro de incêndios florestais no pantanal e no estado inteiro, tanto que existe um decreto de emergência para os 79 municípios”. 

Após a chuva do fim de semana e com o trabalho dos bombeiros e brigadistas, os focos de incêndio no Pantanal e no Cerrado diminuíram. Segundo Jaime, atualmente no estado existem três focos em alerta. “Hoje nós temos três focos de incêndio relevantes no estado de MS, um na divisa com o Paraná, que nós já estamos combatendo, outro na Serra do Amolar, que é no norte do estado e o ponto mais crítico que continua sendo aquela região do Porto Jofre”. 

O economista explica que o estado não transfere aos fazendeiros e produtores a culpa pelo incêndio, e alega que a Polícia Federal está fazendo uma operação para verificar de onde iniciou esses focos. “Nós não imputamos em nenhum momento isso aos produtores rurais e aos pantaneiros. A Polícia Federal fez uma operação depenado pela Justiça Federal, e nós estamos a campo com a Operação Focus, que é uma ação do corpo de bombeiros e Imasul, coordenada pela Sejusp junto com a Polícia Civil com a Polícia Militar Ambiental. Primeiro nós temos que verificar onde e como o incêndio começou, e depois o responsável por isso será punido conforme a Lei”. 

Em relação ao desmatamento ilegal, Jaime explica que ainda existe muita autuação em decorrência disso e afirma que tem que intensificar a fiscalização. “Hoje nós temos uma área de uso restrito no pantanal, onde os produtores estão condicionados a uma redução significativa pelo desmatamento, ninguém poderia desmatar mais de 50% da sua área, mas é importante destacar isso, uma coisa é desmatamento ilegal, outra coisa é desmatamento autorizado, então não é proibido desmatar no pantanal, é proibido desmatar ilegalmente”. 

Segundo Verruck, as leis estaduais não permitem instalações de usinas no alto do pantanal, mas em 2019 o presidente da república, Jair Bolsonaro, revogou o decreto de plantio de cana. A ação gerou questionamentos em relação às instalações de usinas no pantanal sul-mato-grossense. “O presidente Jair Bolsonaro na verdade retirou uma restrição de financiamento do plantio da cana, não a instalação de usina que possa produzir, então não está e não será autorizado, porque a legislação não permite. Foi só uma mudança no decreto, mas a legislação estadual continua estabelecendo toda restrição e continuará dessa forma”.  

Impactos da pandemia

Sobre a pandemia, Jaime relata que todos foram impactados por esse momento, mas o estado conseguiu equilibrar as questões da saúde e economia. “Nessa linha dessa gestão da economia e da saúde, nós conseguimos indicadores extremamente favoráveis. Então o estado hoje tem os principais indicadores positivos, nós temos uma previsão de que a gente termine o ano ainda com o PIB positivo, a previsão é de 2,7% é uma previsão nacional, colocando aí o MS como o primeiro estado em capacidade de recuperação”. 

O agronegócio teve um papel fundamental nesse período e trouxe resultados positivos para a economia de Mato Grosso do Sul, mantendo o equilíbrio das finanças. “Nós tivemos um crescimento da safra e uma expansão do processamento, então a gente conseguiu manter emprego em função das exportações. Nós batemos recorde de exportação de celulose e exportação de soja, então nós conseguimos manter um certo equilíbrio nas finanças, como na questão do desenvolvimento da geração de emprego”.

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