Candidato ao senado propõe distribuição de terra e critica repressão dos povos indígenas

Madu Livramento, Jornal Midiamax


Propor diminuição da taxa de juros, distribuição nacional de território para maior incentivo à produção da terra estão entre as propostas de mandato do candidato ao senado, pelo PCO (Partido da Causa Operária) Valderi Garcia. O indigena da região de Dourados, concedeu entrevista ao Jornal da Hora (Rádio Hora-FM 92.3), nesta quarta-feira (16/11) e apresentou seus projetos e ainda falou dos desafios da atual realidade.


Ao ser perguntado pelo âncora Cláudio Severo, sobre as dificuldades do povo indigena, Valderi disse que “Os trabalhadores são explorados pelo sistema capitalista e os indígenas sofrem por serem relegados a segundo plano diante do sistema imposto pela realidade brasileira.


Destacou ainda que, cerca de 25 mil pessoas (entre indígenas Guarani Kaiowá, Terena e não indígenas) dividem uma área de apenas 3.500 hectares. Esse cenário tem gerado conflitos constantes com fazendeiros e com o avanço de condomínios sobre áreas de reserva. Para o candidato, o que muitos chamam de “invasão” é, na verdade, a retomada de um direito histórico negado há mais de 500 anos.Propostas simples, porém diretas para o campo.


Durante a conversa, Valderi destacou três pontos centrais de sua plataforma para o Senado:
1 – 1 – Distribuição de terras para produção: O candidato propõe que famílias em extrema pobreza recebam pelo menos um hectare de terra. Com esse espaço, seria possível plantar frutas, criar galinhas e peixes, garantindo a subsistência, gerando renda e ajudando a baratear o preço dos alimentos no mercado.

2 – poio técnico à agricultura familiar indígena: Não basta apenas ter a terra. Valderi defende que os povos originários recebam treinamento e suporte técnico para manejar a produção de forma eficiente e obter retorno financeiro.

3 – Estratégia realista de expansão de territórios: Reconhecendo que a demarcação direta enfrenta forte resistência no Congresso Nacional, ele sugere uma alternativa prática: o governo indenizar fazendas localizadas ao redor das aldeias. Essas áreas poderiam ser reflorestadas para proteger nascentes e recuperar espaços de caça e pesca, ampliando o território indígena de forma mais viável e menos conflituosa.

Crítica ao uso da força e ao sistema financeiro


O candidato foi firme ao criticar a postura de governos que utilizam a polícia para reprimir manifestações por direitos básicos, como o acesso à água potável – um problema que, segundo ele, ainda está em processo de solução na aldeia Jaguapiru, com a perfuração de novos poços.
Para Valderi, o verdadeiro inimigo da população não é a disputa entre trabalhadores e pequenos empresários, mas sim o sistema financeiro. “Quem mais ganha com os juros altos são os banqueiros, enquanto o povo sofre para pagar as contas. Precisamos unir trabalhadores, indígenas e pequenos produtores contra essa opressão”, afirmou.


Unidade e identidade


Ao final da entrevista, Valderi reconheceu que existem diferentes visões dentro das próprias aldeias (entre quem quer manter tradições antigas e quem busca modernidade, como asfalto e casas novas). No entanto, reforçou a necessidade de união. Ele encerrou a conversa com uma saudação em guarani para os ouvintes: “Corrente coleira”, que significa “toda a nossa gente”.
Acompanhe à entrevista na íntegra:

Por Marcelo Nunes

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