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Quando falamos sobre o potencial do agronegócio de Mato Grosso do Sul, imagina-se que o crescimento do setor dependa da abertura de novas áreas produtivas. Na minha visão, o futuro passa por outro caminho. O estado ainda possui uma enorme oportunidade de crescimento dentro das áreas que já produzimos, seja pela recuperação de pastagens, pela intensificação sustentável da pecuária, pela integração entre lavoura, pecuária e floresta ou pela adoção de novas tecnologias que aumentam a produtividade sem a necessidade de avançar sobre novas fronteiras.
Mas limitar a discussão ao aumento da produção seria enxergar apenas parte do cenário. O verdadeiro potencial de Mato Grosso do Sul está na capacidade de transformar matéria-prima em riqueza. A expansão da bioenergia, da indústria de celulose, do processamento de alimentos e da agregação de valor à produção rural cria um novo ciclo de desenvolvimento para o estado. Não basta produzir mais. Precisamos industrializar mais, inovar mais e capturar mais valor dentro de nossas próprias fronteiras.
Essa transformação também passa pela logística. Durante décadas, Mato Grosso do Sul produziu como uma potência agropecuária, mas enfrentou gargalos que limitaram sua competitividade. Hoje, porém, o cenário começa a mudar. Os investimentos na BR-163, a consolidação da Rota da Celulose, a expansão ferroviária e o avanço da Rota Bioceânica posicionam o estado como um dos principais corredores logísticos da América do Sul. Mais do que reduzir custos, essas iniciativas aproximam nossa produção dos mercados consumidores e ampliam a capacidade de atração de novos investimentos industriais.
Há ainda uma oportunidade que começa a ganhar força e pode reposicionar o estado no cenário mundial: a economia verde. Créditos de carbono, reflorestamento comercial, bioenergia, biometano e sistemas produtivos de baixa emissão deixam de ser apenas pautas ambientais para se tornarem oportunidades reais de negócios. O produtor rural que compreender essa transformação cedo poderá gerar receita não apenas com aquilo que produz, mas também com a forma como produz.
Mato Grosso do Sul reúne ativos que poucos lugares no mundo possuem simultaneamente: terra, água, clima favorável, infraestrutura em evolução, capacidade industrial crescente e um setor produtivo reconhecido pela sua eficiência. O desafio dos próximos anos não será descobrir se o estado pode crescer. A resposta para isso já está dada. A grande questão será quem estará preparado para liderar esse crescimento e transformar oportunidades em desenvolvimento econômico, social e ambiental.
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Fabio Avelino Duarte – Publicitário, trabalha com comunicação no agronegócio há mais de 15 anos . Atua como gestor de Pecuária através de um projeto de melhoria genética de Nelore.
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