Após reunião ontem (21), motoristas não foram pagos, Consórcio pede passagem mais cara e Prefeitura deve chamar Estado para negociações

Campo Grande teve seu transporte coletivo reestabelecido nesta quarta-feira (22), após um dia de caos, em que 160 mil pessoas foram afetadas diretamente, com a paralisação em busca de pagamentos feita pelos motoristas ontem (21).
Das conversas que aconteceram até o fim da tarde de ontem (21), os motoristas saíram apenas com a previsão de que o pagamento só aconteça na próxima terça-feira (28).
Do outro lado da moeda, já tendo alegado o esgotamento dos recursos financeiros a partir do dia 20, o Consórcio Guaicurus pede um aumento da tarifa de ônibus para R$ 6,16.
Vale ressaltar que a retomada dos ônibus é resultado da audiência de conciliação intermediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, onde estavam presentes o Consórcio Guaicurus; Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo, além do Ministério Público do Trabalho.
Conforme o consórcio Guaicurus, o aumento no preço da passagem seria para compensar os três reajustes do óleo diesel que ocorreram neste ano.
Importante lembrar que Campo Grande já registrou um aumento de R$ 0,20 no preço da passagem este ano e, agora, o Consórcio Guaicurus solicita que a tarifa tenha um acréscimo de R$ 1,76, em cima dos R$ 4,40 cobrados atualmente.
Como começou a crise
Conforme apontou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande, Demétrio Ferreira – ao Correio do Estado na manhã de ontem (21) -, o não pagamento foi apenas a gota d’água para os motoristas dos coletivos de Campo Grande.
“Foi espontânea a paralisação porquê a gente cansou. Chegou num ponto que até feriado, por exemplo, quem trabalha recebe 100% e a empresa pediu que não tem condição de pagar isso. Perguntou se podia ser compensado em folga e a gente atendeu. E o motorista, categoria putos, porque quem não quer receber hora extra, mas mesmo assim trabalhando. Até chegar o vale que não foi pago. Foi a gota d’água, então a gente vai parar e seja o que Deus quiser”, disse Demétrio.
A medida pegou todos os campo-grandenses de surpresa, afetando cerca de 160 mil pessoas que não encontraram ônibus para ir trabalhar ou estudar durante toda a terça-feira (21).
Ainda no período da manhã o Sindicato das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de Passageiros de Mato Grosso do Sul (Setur-MS), entrou com ação na Justiça do Trabalho para tentar suspender a greve dos motoristas do transporte coletivo de Campo Grande.
Após uma tarde de reuniões, as partes (que envolve representantes do Consórcio Guaicurus, dos trabalhadores em greve, de comerciantes, vários vereadores e integrantes de agências de trânsito e de regulação) saíram sem um acordo.
Como os estudantes da rede estadual (190 mil) representam uma parcela maior que os alunos do município (66 mil), a prefeita, Adriane Lopes, deu a pista de como o governo poderá ajudar: subsidiando uma parte da tarifa. “Vamos também convidar o governo. Temos os alunos (da rede pública estadual). São a grande maioria. Vamos buscar essa parceria, buscar essa construção”, disse na noite de ontem (21).
- Fonte: Correio do Estado
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