Subsídio: segundo prefeita Adriane Lopes, alunos da rede estadual são maioria no Passe do Estudante

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (Patriota) afirmou que irá convidar o governo do Estado para participar das negociações envolvendo a crise no transporte coletivo da Capital na próxima sexta-feira (24). A reunião desta terça-feira (21), da qual participaram representantes do Consórcio Guaicurus, dos trabalhadores em greve, de comerciantes, vários vereadores e integrantes de agências de trânsito e de regulação, terminou sem acordo.
Na entrevista concedida logo após a reunião que demorou mais de duas horas, Adriane deu a pista de como o governo poderá ajudar: subsidiando a tarifa. “Vamos também convidar o governo. Temos os alunos (da rede pública estadual). São a grande maioria. Vamos buscar essa parceria, buscar essa construção”, afirmou.
Na audiência de conciliação, foi a vez de o Consórcio Guaicurus pedir a participação do governo no subsídio do transporte, arcando com os custos do Passe do Estudante. Ao ler o acordo firmado entre trabalhadores e Consórcio Guaicurus, que permitiu que os ônibus voltassem a circular nesta quarta-feira (22), o desembargador André Luiz Moraes de Oliveira, do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região repetiu argumento das empresas de ônibus, afirmando que 40% dos beneficiários do passe são alunos da rede estadual, 17% da rede municipal de ensino, e o restante, estudantes universitários.
O Passe do Estudante existe desde a década de 1990 e foi implementado como programa para acabar com a evasão escolar na Capital, que depois disso, passou a ganhar prêmios na educação básica. O valor sempre foi rateado na tarifa entre os outros usuários.
Neste ano, porém, a Prefeitura da Capital usou o pagamento do passe dos estudantes da rede municipal, como um dos fundamentos para o subsídio de R$ 1 milhão por mês concedido ao Consórcio.
Normalidade
O sistema de transporte coletivo de Campo Grande retornará à normalidade nesta quarta-feira (22). Esta é a decisão que resultou da audiência de conciliação intermediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, e que contou com a participação do Consórcio Guaicurus, do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo, além do Ministério Público do Trabalho.
Além do retorno ao trabalho nesta quarta-feira (24), o Consórcio Guaicurus comprometeu-se a abonar a falta de todos os trabalhadores que paralisaram suas atividades depois que o Consórcio Guaicurus descumpriu cláusula do acordo coletivo firmado com a categoria.
O adiantamento de 40% do salário dos motoristas, conhecido como “vale” pela maioria da população, não foi pago neste dia 20. Na audiência de conciliação, o Consórcio Guaicurus comprometeu-se a pagar os valores no próximo dia 28.
“A partir de amanhã os ônibus funcionam normalmente. Não era o que a gente queria, queríamos o nosso salário na conta imediatamente, mas como já havia uma liminar contra a paralisação, chegamos a esse acordo”, disse o presidente do sindicato dos trabalhadores Demétrio Ferreira de Freitas.
A reunião de conciliação começou com intransigência das duas partes. Inicialmente, o Consórcio Guaicurus afirmava que não tinha dinheiro suficiente para honrar seu compromisso, enquanto os trabalhadores diziam que só voltavam a trabalhar com dinheiro na conta.
Outra reunião
Mais cedo, uma outra reunião terminou sem acordo. Na prefeitura da Capital, a prefeita Adriane Lopes, recebeu representantes da empresa, dos trabalhadores, além de empresários, vereadores e integrantes das agências de regulação e de transporte.
O Consórcio Guaicurus insiste em um aumento da tarifa para compensar os três reajustes do óleo diesel que ocorreram neste ano. Em 2022, além do aumento de R$ 0,20 na tarifa, a prefeitura de Campo Grande comprometeu-se a subsidiar o sistema em R$ 12 milhões (R$ 1 milhão por mês). Estes recursos, porém, não estariam sendo suficientes, segundo o Consórcio Guaicurus, que quer aumento na tarifa de ônibus, de R$ 4,40 para mais de R$ 6.
- fonte: Correio do Estado
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