Com avanços nos índices de doações, coordenadora da Central de Transplantes ressalta importância de dialogar sobre o tema

O Mato Grosso do Sul alcançou marcadores positivos na área da doação de órgãos. Segundo a Central Estadual de Transplantes, o índice de transplantes de órgãos e tecidos cresceu 15% em 2025. Foram 368 procedimentos, sendo 70 doações de órgãos e 298 transplantes de córneas.

Com um sistema baseado na estrutura organizacional dos Estados Unidos e da Espanha, a Central Estadual de Transplantes tem atuação exemplar para o país. Em 2026, apenas o Hospital Adventista do Pênfigo, já realizou 84 captações hepáticas.

Claire Miozzo no estúdio Grupo Hora. Foto: Maria Luiza Massulo

Em entrevista ao Jornal da Hora desta quarta-feira (06), a coordenadora da central, Claire Miozzo, celebrou os avanços nos índices de doações e transplantes e ressaltou que os números tem sido possíveis porque famílias tem dito sim para a solidariedade.

“Em primeiro lugar só existe transplante se tiver uma família que diz sim naquele momento de dor e que opta por salvar vidas diante de uma perda. Eu vejo [o crescimento nos índices] com muita satisfação, e muita alegria […] Isso nos deixa assim bastante satisfeitos. Antes nós encaminhávamos muitos órgãos pra fora, mas hoje a gente nós precisamos atender os nossos pacientes aqui no estado. Então pra nós esses números são um motivo de muita satisfação e um reconhecimento de todo o trabalho”, explicou.

A coordenadora da central também desmistificou a respeito do processo de espera e encaminhamento dos órgãos. Claire explicou que atualmente o sistema utiliza uma lista, onde são convocados pacientes a partir de compatibilidade, prova cruzada e prioridade.

“O sistema é transparente, a pessoa pode acompanhar. Quando a pessoa entre na lista ela recebe um número de registro e com esse número, ela pode acompanhar no site do Sistema Nacional do Transplante como que ela está, quantas vezes foi chamada e quantas vezes foi recusada. O sistema é completamente transparente e a única coisa que nós não divulgamos é o nome do doador e o nome do receptor”, ressaltou.

Apesar dos avanços nos índices, ainda é necessário realizar a conscientização a respeito do tema. Aos microfones da Rádio Hora, Claire Miozzo explicou como uma pessoa pode se tornar um doador de órgãos.

“Muitas pessoas perguntam ‘o que eu preciso fazer pra ser um doador de órgãos?’ Precisa conversar com a sua família. No momento em que a pessoa morre quem autoriza a doação é o familiar. Então quem tem que saber é o pai, a mãe, irmão, vô, vó, o cônjuge. São essas pessoas que são autorizadas a assinar o termo. O sistema é muito transparente, ele é confiável, ele é igualitário […] Fale com a sua família”, disse.

Por Reuel Oliveira

Assista a entrevista na íntegra

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