Guerras no mundo: por que o agronegócio no Mato Grosso do Sul também paga essa conta?

Por Fabio Duarte
Foto: IA

Conflitos armados que acontecem a milhares de quilômetros do nosso estado podem parecer distantes da realidade do produtor rural, mas seus efeitos chegam rapidamente ao campo. O agronegócio está inserido em uma cadeia global de energia, fertilizantes, combustíveis, alimentos e transporte. Quando uma guerra interrompe rotas comerciais, reduz a oferta de matérias-primas ou provoca insegurança nos mercados, os custos de produção aumentam e afetam diretamente culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, florestas plantadas e também a pecuária.

A guerra entre Rússia e Ucrânia é um dos exemplos mais claros dessa dependência. A Rússia é uma das principais fornecedoras mundiais de fertilizantes, enquanto Rússia e Ucrânia têm grande participação na produção e exportação de grãos. Com o conflito, cresceram os riscos de desabastecimento, sanções econômicas, dificuldades logísticas e aumento nos preços de produtos como ureia, cloreto de potássio e fertilizantes fosfatados. Para Mato Grosso do Sul, isso significa pagar mais caro para corrigir e adubar o solo, elevando o custo por hectare antes mesmo de a lavoura começar a produzir.

Já os conflitos no Oriente Médio, especialmente aqueles que envolvem os Estados Unidos, o Irã e regiões próximas ao Estreito de Ormuz, afetam principalmente o mercado de petróleo e gás natural. Uma escalada militar nessa área pode elevar o preço do barril, do diesel, da gasolina, dos fretes e dos seguros marítimos. No campo sul-mato-grossense, o diesel é essencial para máquinas, colheitadeiras, caminhões e transporte de animais e grãos. Além disso, o gás natural é matéria-prima importante para fertilizantes nitrogenados, fazendo com que uma crise energética também se transforme em aumento do custo da produção agrícola.

Em alguns momentos, a valorização internacional da soja, do milho, da carne e de outras commodities pode beneficiar os produtores exportadores. No entanto, preços mais altos não significam necessariamente maior lucro. O mesmo conflito que valoriza a produção também encarece fertilizantes, combustíveis, defensivos, máquinas, transporte e financiamento. O produtor passa a vender mais caro, mas também precisa gastar mais para produzir. Para o consumidor, essa pressão pode aparecer posteriormente nos preços dos alimentos, das carnes, dos biocombustíveis e de outros produtos ligados ao agronegócio.

Portanto, as guerras no mundo não são apenas um tema de política internacional: elas fazem parte do planejamento econômico do agronegócio de Mato Grosso do Sul. Reduzir essa vulnerabilidade exige ampliar a produção nacional de fertilizantes, diversificar fornecedores, investir em eficiência no uso de insumos, fortalecer ferrovias e hidrovias e acompanhar permanentemente os movimentos do mercado global. Em um cenário de conflitos cada vez mais frequentes, produzir com competitividade dependerá não apenas do clima e da produtividade da fazenda, mas também da capacidade de compreender e antecipar os efeitos da geopolítica sobre o campo.

Fabio Duarte • Agronegócio

Fabio Avelino Duarte – Publicitário, trabalha com comunicação no agronegócio há mais de 15 anos . Atua como gestor de Pecuária através de um projeto de melhoria genética de Nelore.

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Fabio Avelino Duarte - Publicitário, trabalha com comunicação no agronegócio há mais de 15 anos . Atua como gestor de Pecuária através de um projeto de melhoria genética de Nelore.