Junho Prata: Com população mais velha, MS discute desafios para garantir envelhecimento digno

Larissa Paraguassu no estúdio do Grupo Hora. Foto: Reuel Oliveira

O envelhecimento populacional é uma preocupação que existe no presente. Enquanto uns conversam sobre a velhice como um vislumbre do futuro, um lugar distante que a gente não acredita que vá chegar tão cedo, 14,18% da população de MS está vivendo ela hoje. São milhares de pessoas que envelhecem em um mundo planejado para corpos mais rápidos, joelhos mais resistentes e memórias que ainda não começaram a falhar.

A expectativa de vida aumenta a cada ano no Brasil. O tempo, que durante séculos foi negado a tantos, agora se alonga. Mas viver mais não significa, necessariamente, viver melhor. O envelhecimento da população exige que a sociedade reaprenda a olhar para aqueles que carregam as marcas dos anos e, muitas vezes, da invisibilidade. É nesse espaço de reflexão que se insere o Junho Prata, campanha que convida o Estado e a sociedade a pensar não apenas em quantos anos estamos vivendo, mas em como estamos permitindo que esses anos sejam vividos.

Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta terça-feira (16), a subsecretária de Políticas Públicas para Pessoas Idosas, Larissa Diniz Paraguassu, destacou que uma das principais dificuldades enfrentadas por esse público continua sendo o preconceito etário, muitas vezes naturalizado no cotidiano e reproduzido em diferentes espaços da sociedade, relegando a experiência acumulada ao longo dos anos a um lugar secundário.

Para Larissa, o enfrentamento às violências contra a pessoa idosa passa também pelo reconhecimento do valor dos saberes construídos pelas gerações mais velhas. Ela defende que a inovação e a tradição não são forças opostas, mas complementares.

“Nós temos a inteligência artificial e a inteligência ancestral. Para que a gente chegue à inteligência artificial, foi preciso a inteligência ancestral. Foi preciso a valorização desses saberes construídos ao longo do tempo”, afirmou.

Violência contra pessoas idosas em MS

A violência contra a pessoa idosa tem avançado no MS. Entre 2014 e 2024, o número de notificações registradas pelo sistema de saúde aumentou 226,3%. Apenas em 2024, foram 30.097 ocorrências, o equivalente a 88,4 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação a outros estados, Mato Grosso do Sul aparece no centro desse problema. Com taxa de 310,5 notificações por 100 mil habitantes, o Estado ocupa a primeira posição no ranking nacional e registra um índice quase quatro vezes maior que a média do país, de 86,6 casos.

Ao ser questionada a respeito do aumento do número de registros de violências não letais contra pessoas idosas no MS, a subsecretária destacou ainda que “Historicamente a violência contra a pessoa idosa é uma violência invisibilizada, então o aumento nos registros também nos mostra uma ampliação dos canais de denúncia e um fortalecimento da rede de proteção aos direitos da pessoa idosa”.

“A pessoa idosa geralmente sofre violência dentro do seu ambiente familiar e isso dificulta muito a denúncia. Ela está ali num âmbito emocional e isso impossibilita que ela faça a denúncia, por isso a importância da formação e preparação da rede de proteção à pessoa idosa e as pessoas estarem muito atentas aos sinais porque quando a violência é patrimonial e financeira ela dificilmente vai buscar os canais de denúncia”, explica. 

Assista a entrevista na íntegra:

Leia outras produções do Grupo Hora