Maio Laranja: delegada alerta para sinais de abuso infantil e importância da denúncia

Delegada Nelly Macedo no estúdio do Grupo Hora. Foto: Reuel Oliveira

Três em cada quatro casos de violência sexual cometidos em Mato Grosso do Sul, tem como vitimas crianças ou adolescentes. O dado divulgado pelo Ministério da Saúde, com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), é alarmante e expõe uma das formas mais graves de violação dos direitos humanos. Ainda segundo o mesmo estudo, entre 2020 a 2024, 2.398 crianças foram vítimas deste tipo de abuso.

A exploração sexual infantojuvenil acontece de forma silenciosa, dentro do próprio ambiente familiar ou em círculos de convivência próximos à vítima. Estima-se que cerca de 80% dessas violências sejam praticadas por pessoas conhecidas, como familiares ou amigos. Esse contexto torna o enfrentamento ainda mais complexo, já que a violência costuma estar cercada por medo, dependência emocional e um silenciamento estrutural que dificulta a denúncia e a atuação das autoridades.

Tendo o dia 18 de maio como marco nacional de mobilização, a campanha Maio Laranja é realizada anualmente para conscientizar a população sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, reforçando a importância de identificar sinais de violência, ampliar a rede de proteção e incentivar a denúncia.

Para discutir o tema e orientar a população sobre como agir diante de casos suspeitos, o Jornal da Hora recebeu, na manhã desta quarta-feira (13), a delegada Nelly Macedo, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). Em entrevista, a delegada falou sobre a atuação da polícia para a defesa das crianças vítimas de violência e reforçou ainda a importância de um atendimento humanizado e sensível para conseguir retirar a vítima do ambiente violento. 

“Crianças e adolescentes têm mais dificuldade de verbalizar que estão sendo vítimas porque normalmente os agressores são pessoas do convívio familiar e essas crianças estão sendo ameaçadas ou tentam proteger a própria família. Por isso nós precisamos dessa sensibilidade e desse olhar especial para o caso”, afirma.

De acordo com Nelly Macedo, o olhar atento é o que permite identificar as mudanças comportamentais na criança. Entre os sinais de alerta listados pela delegada estão a introspecção ou comportamentos mais agressivos, voltar a fazer xixi na cama, medo de pessoas específicas ou receio de frequentar determinados locais que, antes, eram do gosto da criança.

A violência sexual infantojuvenil é crime e deixa marcas profundas, muitas vezes irreparáveis, no desenvolvimento físico, emocional e psicológico das vítimas. Romper o ciclo do silêncio é fundamental para interromper essa violência e garantir proteção às crianças e adolescentes. Independentemente de quem seja o agressor, denunciar é um ato de cuidado e responsabilidade. Casos suspeitos ou confirmados podem ser comunicados de forma anônima pelo Disque 100 ou, em situações de urgência, pelo 190.

Assista a entrevista na íntegra:

Leia outras produções do Grupo Hora

Leia mais sobre justiça e segurança