Mas eu preciso disso

Por João Victor Faedo

Você já se deparou com a seguinte situação: ao passar em frente a uma vitrine bonita, ou navegando pela internet, observa um produto que lhe chama a atenção e desperta seus sentidos. Logo em seguida, surge o pensamento: eu preciso disso!

Essa situação é comum na vida de todo consumidor. Somos conduzidos diariamente por anúncios, propagandas e indicações de influencers a todo instante. Todos eles querem uma coisa: transformar seus produtos em um item de nossa necessidade. Porque as necessidades não se discutem, apenas se satisfazem.

Digamos que agora seja meio-dia, sua barriga está dando sinais de que falta alguma coisa, às vezes os sinais são sonoros e inconfundíveis, não é mesmo?! Isso é o seu corpo comunicando que existe uma necessidade a ser suprida. Seu corpo precisa de alimentos. Não adianta discutir ou abstrair, a necessidade continuará ali até ser atendida completamente. Por isso o sonho de todo produto ou serviço é ser colocado na lista de necessidades e não somente na lista dos desejos das pessoas.

Desejos são negociáveis, toleráveis, e principalmente, podem ser eliminados. Enquanto um produto está na lista de desejos, ele corre o sério risco de não ser comprado, no entanto quando ele desce ao patamar de necessidade, o esforço do vendedor não é mais para convencê-lo, ele só precisa te conduzir ao caixa para o pagamento. Seu corpo tem necessidade de alimentos, mas ele não precisa de um bife gourmet de Wagyu criado no Japão. Assim como temos necessidade de nos comunicar, precisamos ferramentas para essa finalidade, mas um aparelho celular de Dez mil Reais não suprirá nada a mais do que um aparelho de R$600,00.

Você pode estar pensando que escolher o mais barato será sempre o certo e o ideal a se fazer. Esse não é o ponto definitivamente. O fato não é uma dicotomia entre certo ou errado, melhor ou pior. A chave central que pode nos abrir as portas de uma vida plena e abundante financeiramente, está em compreender e dominar a diferença entre os conceitos de necessidades e desejos. Os desejos não são vilões a serem combatidos, são na verdade expressões do nosso ser que devem ser administrados.

Não é sumariamente equivocado comprar o bife gourmet japonês, desde que haja a compreensão de que se trata de um desejo que está sendo atendido, e haja recursos suficientes naquele momento, sem causar descontrole em outras contas. Somos seres cheios de desejos, e isso é bom, porque eles nos impulsionam ao crescimento e desenvolvimento. Precisamos somente tratar cada produto ou oferta como de fato são, e não como os estrategistas de marketing querem que pensemos.

João Victor Faedo – Finanças

Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.

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Empreendedor e especialista em gestão estratégica pela USP. Atua como conselheiro e palestrante na área de finanças pessoais à luz da Bíblia.