Mês da mulher: “Existe vida após a violência”, diz Helaine Bitencourt, vítima de abuso

Helaine Bitencourt

Durante a pandemia de Covid-19, uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos afirma ter sofrido algum tipo de violência no último ano no Brasil, segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha. Isso significa que cerca de 17 milhões de mulheres sofreram violência física, psicológica ou sexual no ano passado. Em entrevista ao Jornal da Hora desta quinta-feira (31), a pedagoga Helaine Bitencourt contou sua história de superação da violência que sofreu, e afirmou que as mulheres precisam ter coragem para denunciar e que existe sim vida após a violência. 

“Nós não somos aquilo que nos aconteceu. Somos o que fazemos com o que nos aconteceu. Depois da violência, busque ajuda. É justamente essa palavra: coragem. A mulher vítima de violência, hoje ela não está no chão, ensanguentada, pedindo ajuda. Ela está nos locais de trabalho, na sociedade, atuando naquilo que ela sabe fazer. As políticas públicas são fundamentais, e quando falamos sobre elas, não é só no estado e no Governo. São também as instituições não governamentais, a igreja e a escola”, afirmou Bitencourt. 

Ela também pontuou que as crianças muitas vezes não sabem o que é violência e os diferentes tipos de violência existem, e isso precisa ser trabalhado na escola. “Eu dei uma palestra, e quando perguntei se alguma menina já tinha sofrido violência, ninguém levantou a mão, mas quando eu perguntei: seu namorado já jogou seu celular no chão? Ele já te xingou? Já pegou forte no seu braço no meio de uma discussão? Já fez você voltar para casa e trocar de roupa? Já te expôs ao ridículo? Muitas falaram que sim. Então às vezes o adolescente e a criança não tem noção que isso é violência”, explicou. 

Denúncia

A denúncia pode ser realizada online, por telefone ou presencial. Para realizar a denúncia presencial, a mulher pode procurar uma Delegacia da Polícia Civil, que pode ser também a Delegacia de Atendimento à Mulher. No online, acesse o site Não Se Cale; a Delegacia Virtual; o aplicativo MS Digital; e o site da Defensoria Pública; O telefone 180 é da Central de Atendimento à Mulher; 190 é da Polícia Militar; e (67) 9 9247-3968 é da Defensoria Pública.

  • Confira a entrevista completa no link abaixo:

Texto: da redação