Termômetro do Varejo de maio aponta desaceleração no crédito para famílias em MS

Levantamento da FCDL-MS mostra freio nos empréstimos para pessoas físicas e leve aceleração da inflação, enquanto varejo ampliado cresceu 6,7% no MS

Foto: Nathália Rosa/Unplash

Os indicadores econômicos de Mato Grosso do Sul ganharam novos contornos com a divulgação da edição de maio do Termômetro do Varejo, elaborado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL-MS). O levantamento deste mês acende um sinal de alerta para o consumo das famílias, refletindo uma perda de ritmo no crédito para pessoas físicas. Por outro lado, No 1° trimestre de 2026,  as vendas do varejo ampliado registraram crescimento de 6,7% em Mato Grosso do Sul, superando com folga o dado nacional, que apontou crescimento de  1,9%. No comércio varejista, que desconsidera atividades comerciais mais específicas, a alta foi de 3,5%.

Mercado de Crédito e Inadimplência

 Após um período de forte expansão, o ritmo de crescimento do crédito destinado às pessoas físicas em MS pisou no freio. Em março de 2026, o saldo chegou a R$ 102,8 bilhões, apresentando um crescimento de 7,1% em relação ao ano anterior, desempenho que ficou abaixo da média nacional (10,9%). A taxa de inadimplência (atrasos superiores a 90 dias) foi estimada em 6,8% para pessoas físicas, acima da média nacional.

Em contrapartida, o crédito voltado às empresas (Pessoas Jurídicas) saltou expressivos 16,2%, totalizando R$ 41,2 bilhões. Esse volume expressivo de recursos tem sido fundamental para garantir a realização de investimentos em melhorias e expansão dos negócios locais.

Emprego e Inflação na Capital

 No primeiro trimestre de 2026, a capital sul-mato-grossense registrou a criação de 2.999 vagas formais de emprego. O comércio, no entanto, ainda reflete o impacto das demissões dos contratos temporários de fim de ano, acumulando um saldo negativo de 379 vagas na capital, um movimento sazonal que o setor espera reverter nos próximos meses.

Quanto aos preços, a inflação (IPCA) medida em Campo Grande acelerou em abril de 2026, atingindo 3,1% no acumulado de 12 meses. Essa aceleração pontual reflete, em parte, os impactos dos conflitos geopolíticos que afetaram os preços das commodities. O segmento de “Vestuário” foi o que mais pesou no bolso do consumidor, liderando as altas com 6,7%. Ainda assim, o índice local permanece abaixo da média nacional.

Palavra da Presidente

Para a Inês Santiago, presidente da FCDL-MS, os dados exigem uma gestão cautelosa. “Observamos uma clara desaceleração no crédito para as famílias, que já estão sentindo o peso do endividamento, somada a uma leve aceleração da inflação impulsionada pelo cenário externo. Por outro lado, o avanço robusto no crédito corporativo demonstra que o empresário sul-mato-grossense é resiliente e continua buscando recursos para estruturar seus negócios visando o médio e longo prazo”, avalia a presidente.

Especialista do Mês: O Impulso do Novo Aeroporto 

Na edição de maio, o Termômetro do Varejo traz a análise de Usiel Vieira, diretor do Aeroporto Internacional de Campo Grande, abordando como a infraestrutura de mobilidade atua como um motor de vendas.

Vieira destacou que as recentes obras trarão um salto de consumo para o estado: “O aeroporto cresce 75% da capacidade instalada dele. Então, a gente mais que dobra a quantidade de área de varejo aqui”, comemora o diretor. Segundo ele, a expectativa de fluxo e negócios é imensa. “Com a movimentação da Copa, com a chegada desse novo aeroporto, com essa nova infraestrutura que tá chegando, isso tudinho somado vai criar uma sinergia enorme pra economia no estado de Mato Grosso do Sul”, projeta.

Sobre a preocupação da FCDL-MS com a alta dos custos de aviação em razão das guerras, o que poderia frear a vontade de viajar e consumir da população endividada, Vieira reconhece o desafio, mas tranquiliza o setor: “É um momento desafiador […] O combustível de aviação elevou, mas o que a gente percebe até o momento é que os preços das passagens permanecem os mesmos. A gente tem a expectativa de que o impacto seja o mínimo possível e a gente retome a movimentação comercial e econômica no Brasil no que se refere à aviação”, concluiu.

Fonte: FCDL MS