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O impasse entre o Consórcio Guaicurus e a Prefeitura de Campo Grande continua sem solução. Enquanto a população aguarda uma decisão do Executivo sobre uma possível intervenção no transporte coletivo, medida que pode ser anunciada ainda nesta sexta-feira (12), a concessionária voltou a defender que os problemas do sistema só serão resolvidos com mais investimentos por parte do poder público.
Durante agenda pública realizada na quarta-feira (10), a prefeita Adriane Lopes rebateu a alegação e afirmou que não há justificativa para ampliar o aporte de recursos municipais enquanto o contrato firmado com a concessionária segue sendo descumprido.
Segundo a prefeita, o Consórcio Guaicurus reivindica mais investimentos, mas ainda não cumpriu obrigações previstas em contrato, como a renovação da frota. “O Consórcio Guaicurus quer mais aporte de recursos, mas e a parte deles como concessionários? [Consórcio] Tem 235 ônibus a serem trocados. Como é que eu aporto mais recursos quando está frágil o tratado, o acordo que foi celebrado com o Poder Público municipal?”, afirmou à imprensa.
O embate entre a empresa e o município se arrasta há anos e tem como principal reflexo a precarização do transporte coletivo oferecido à população. Em 2025, a Câmara Municipal de Campo Grande instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o serviço prestado pelo consórcio.
No relatório final, os vereadores apontaram uma série de descumprimentos contratuais por parte da concessionária e recomendaram a adoção de medidas mais rigorosas por parte da prefeitura, incluindo a possibilidade de intervenção no sistema. Atualmente, após a abertura de um inquérito pelo Ministério Público, a Prefeitura de Campo Grande analisa a recomendação de intervenção administrativa, tendo como base um relatório elaborado por uma comissão especial.
Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta quinta-feira (11), o vereador Junior Coringa, um dos integrantes da CPI, contestou o argumento da perda de passageiros frequentemente utilizado pelo consórcio para justificar as dificuldades financeiras. Segundo ele, independentemente das justificativas apresentadas pela empresa, quem continua arcando com os prejuízos é a população que depende diariamente do transporte coletivo.
“O trabalhador não aguenta mais e a CPI foi clara. Nós encaminhamos para os órgãos de fiscalização um relatório robusto e a população esperava isso da CPI. Hoje o consórcio Guaicurus pode ter um interventor e esse interventor vai assumir a gestão e vai abrir a caixa preta do consórcio e a partir desse momento eu tenho certeza absoluta que vai acontecer a intervenção emergencial”, afirmou.
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Assista a entrevista na íntegra:
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