Qual a identidade do futebol brasileiro e qual a responsabilidade de cada um na eliminação do Brasil na Copa?

Neymar chora após eliminação do Brasil na Copa do Mundo.
Foto: Reprodução Getty Images

A Seleção Brasileira está eliminada da Copa do Mundo 2026 após derrota para Noruega por 2×1

O Brasil chegou na Copa do Mundo sem favoritismo, mas nós somos brasileiros, nós temos cinco estrelas no peito, nós sempre escolhemos acreditar. E foi o que fizemos: acreditamos. 

Mas acreditar nem sempre é o suficiente para se fazer valer e o Brasil foi eliminado. Mais uma vez a Seleção cai para uma seleção europeia de segunda prateleira. Já caiu para a Bélgica, já caiu para a Croácia e agora caiu para a Noruega.

E como foi em outras edições, nós temos culpados e vou começar apontando os jogadores.

Jogadores 

Sobre a convocação em si, os nomes se aproximaram aos ideais na condição em que estávamos. Por exemplo na lateral direita, com Danilo herdando uma posição de um Militão lesionado, de um Wesley cortado e de um Ibanez muito inseguro na estreia. 

O problema talvez seria a falta de opções. 

Agora os jogadores na partida. 

O ponto principal será o pênalti mal batido por Bruno Guimarães. Há quem aponte o dedo e reclame totalmente a culpa a Vinícius Júnior, mas os próprios jogadores falaram que foi definido antes do jogo pela comissão técnica – falaremos da comissão posteriormente – O fato é que Bruno Guimarães perdeu um pênalti que poderia ter mudado a história. 

Em seguida os jogadores parecem aceitar que não seriam protagonistas do jogo, jogando muito recuados, deixando a posse de bola para Noruega. Tivemos um Matheus Cunha muito inofensivo à defesa adversária, Vinícius Júnior que conseguiu colocar seus companheiros em situações de gol, mas que foram perdidas, e aí falamos de Endrick, que apesar de ser um menino de 19 anos, não pode perder um gol cara a cara, limpo e sozinho. 

O jogo parecia que seria um 0x0, já que o Brasil não conseguiu criar oportunidades que resultassem em gol. O cenário mudou após as entradas de Danilo e principalmente de Neymar. Após a entrada do camisa 10, Endrick e Vinicius foram deslocados para as laterais. Após a modificação, a dupla parou de ser incisiva no ataque e pouco ajudou na marcação, abrindo espaço para a Noruega.

Enquanto isso, Neymar se empenhava com provocações enquanto pouco ajudou no jogo do Brasil.

Da mesma forma, a defesa brasileira falhou, deu espaço para o artilheiro norueguês Erling Haaland e ele não perdoou.

Os jogadores sim têm culpa pelo que aconteceu em campo, pela eliminação. Mas eles tem mais culpa ainda porque não me pareceram entender o que significa vestir a camisa amarela, com a responsabilidade de jogar bem, vencer, improvisar e encantar. 

Comissão Técnica

O treinador Carlo Ancelotti optou por fazer um jogo em que o Brasil não tem a posse de bola, como seria a estratégia contra grandes seleções. A pergunta que fica é se a Noruega seria essa grande seleção. Uma seleção que se defende muito mal, toma muitos gols e costuma deixar espaço na sua defesa. Era contra essa seleção que Carlo Ancelotti preferiu dar espaço? Era contra essa seleção que Ancelotti preferiu abrir caminho para que o time jogasse? 

Mesmo assim, não podemos ser hipócritas de falar que não houve a criação das chances, mas essas chances não foram suficientes para que o Brasil conseguisse furar a barreira adversária e a postura abriu caminho para os noruegueses. 

Precisamos questionar Ancelotti sobre transformar essa Seleção Brasileira em uma emulação do que foi o Real Madrid de 2021/22 e 2023/24. Mas onde estava a nossa identidade? Um time de posse, um time que joga bonito, um time em que seus jogadores podem fluir em campo, podem – de certa forma – dançar em campo. Onde está essa identidade? 

E para aqueles que falam que Ancelotti deveria ser demitido, também questiono quem assumiria a Seleção. Qual dos treinadores brasileiros de fato entendeu a nossa identidade? Qual time no Brasil joga um futebol ofensivo? E ainda outra questão: Qual técnico no Brasil tem tempo para poder desenvolver seu trabalho? Será que demitindo Ancelotti após um revés, não vamos apoiar a cultura da falta de trabalhos duradouros no futebol brasileiro? 

Confederação Brasileira de Futebol

E falando de cultura ruim do futebol Brasileiro, vamos falar sobre a Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, que está mais preocupada em fazer política e ganhar dinheiro do que ter um bom futebol. E não falo isso “só” pela Seleção Brasileira.

Nossos times não conseguem ter uma liga organizada, nosso calendário é alterado diversas vezes durante o ano, nossa arbitragem é amplamente criticada, nossos estádios são precários e nós não conseguimos chegar nem em um consenso a respeito do tipo de grama a ser utilizado. 

Nós temos jogadores que têm atitudes homofóbicas e não são punidos; jogadores com falas e ações machistas, mas que não são punidos; jogadores que apostam e não são punidos, jogadores que se digladiam em campo e não são severamente punidos. Então o que a CBF está fazendo? 

Em 2022, antes daquela edição da Copa, Tite, então técnico da Seleção, já havia avisado que não iria renovar seu contrato. Mesmo assim a CBF não se movimentou para ter um substituto. 

Nós ficamos com Ramon Menezes – o pior treinador que eu já vi no comando da Seleção -; depois Fernando Diniz – com aquela decisão vergonhosa da CBF de fazer Diniz treinador da Seleção enquanto treina Fluminense -; depois Dorival Júnior – com um trabalho pensado em Neymar enquanto o próprio nem conseguia andar em linha reta naquele momento.

E aí temos Ancelotti, que chega com um pouco mais de um ano de trabalho, não consegue ver muitos jogadores devido às lesões e chega para uma Copa com um trabalho, ao meu ver, de contenção de danos.

Os jogadores têm sua responsabilidade? Sim, são eles que estão em campo.

A comissão tem culpa? Sim, porque não entendeu o que é a Seleção Brasileira e foi covarde na hora de preparar o plano de jogo para enfrentar a Noruega. 

Mas a maior culpada é da CBF, que parece ter se esquecido da identidade da Seleção Brasileira. 

Uma CBF que não consegue estimular e potencializar as bases e então não conseguimos formar jogadores.

Uma CBF que não respeita seu passado. E aí eu questiono quantas ações de valorização da história do Brasil nas Copas temos visto? Qual o trabalho da CBF para valorizar o que foi Pelé? Para valorizar o que foi Zico? Para valorizar o que foi Romário e Ronaldo? 

Temos uma CBF que não investe na melhora da arbitragem e que sugere descumprimento de regras. 

Temos uma CBF que não apoia técnicos, a ponto do nosso curso não ser valorizado em outros países.

O que acontece com o Brasil é que aqueles que fazem o futebol tem perdido a identidade. Temos um bom treinador, mas que  precisa ser apresentado ao que é a identidade do futebol brasileiro nos próximos anos.  Temos bons jovens, mas que precisam ser relembrados do que é utilizar esta camisa. 

E sobre a CBF, precisamos olhar para o passado e entender o que foi feito, mas também olhar para o futuro e entender o que o jogo precisa evoluir. Precisamos sim de um futebol mais moderno, mas precisamos de um futebol que respeite quem nós somos. 

Se isso será feito ou não, se a identidade do jogo bonito irá prevalecer, os próximos anos vão dizer.

Por Reuel Oliveira
Artigo de Opinião

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