“Em 30 anos, ninguém conseguiu provar fraude na urna eletrônica”, garante juiz do TRE-MS

Dr. Olivar Coneglian no estúdio do Grupo Hora. Foto: Maria Luiza Massulo

A urna eletrônica e a digitalização do voto completam, em 2026, três décadas de implementação no Brasil. Resultado de anos de pesquisas e investimentos em inovação tecnológica, o sistema transformou o processo eleitoral brasileiro ao proporcionar mais agilidade na apuração dos votos e ampliar os mecanismos de segurança e fiscalização das eleições.

Reconhecida internacionalmente como uma referência em tecnologia eleitoral, a urna eletrônica, no entanto, passou a ser alvo frequente de campanhas de desinformação nos últimos anos, alimentando dúvidas sobre sua confiabilidade e polarizando parte da opinião pública. Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada em fevereiro, aponta que a maioria dos brasileiros ainda confia no sistema eletrônico de votação. Apesar disso, 43% dos entrevistados afirmaram ter algum grau de desconfiança em relação à inviolabilidade da urna.

Para o juiz auxiliar da Vice-Presidência e Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), Dr. Olivar Coneglian, a Justiça Eleitoral mantém a defesa do sistema já que nunca houve comprovação de fraude ou violação do equipamento. Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta quarta-feira (29), o magistrado afirmou que as suspeitas levantadas contra a urna costumam surgir como uma tentativa de atribuir ao sistema eleitoral a responsabilidade por resultados que refletem, na verdade, a vontade do eleitor.

“Em 30 anos ninguém conseguiu violar a urna ou provar que ela teve qualquer problema. Ao contrário disso, nós tivemos a ajuda do Exército em duas eleições. Eles colocaram em todos os estados uma equipe de engenheiros para analisar o sistema e nenhum problema foi verificado com a urna. Se foi escolhido o candidato A, B ou C, isso não é da urna, é uma opção do cidadão, que votou naquela pessoa e é o responsável por escolher o A ou B”, afirmou.

Mecanismos de auditoria

Segundo Coneglian, a segurança do processo eleitoral não se limita ao funcionamento da urna eletrônica. Ele ressalta que existem diferentes mecanismos de auditoria que permitem verificar a integridade do sistema antes, durante e após as eleições.

Entre eles está a disponibilização do código-fonte da urna para inspeção por instituições fiscalizadoras habilitadas, permitindo a análise técnica do software utilizado no processo eleitoral. Além disso, ao término da votação, cada equipamento emite um boletim de urna, documento impresso que registra a totalização dos votos daquela seção eleitoral e possibilita a conferência pública dos resultados.

De acordo com o magistrado, esse conjunto de procedimentos fortalece a transparência do processo e oferece diferentes formas de fiscalização, permitindo que os resultados sejam verificados de maneira independente por órgãos de controle, partidos políticos e demais entidades autorizadas.

Assista a entrevista na íntegra:

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