Presença indígena na UFMS cresce mais de 400% em dez anos

Professora Dra. Camila Ítavo no estúdio do Grupo Hora. Foto: Reuel Oliveira

Mato Grosso do Sul abriga a terceira maior população indígena do Brasil e se destaca pela riqueza cultural presente em seu território. Dados de 2022, reunidos em um painel organizado pelo Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul, mostram que o mosaico sul-mato-grossense é composto por 139 etnias. Dessas, oito são originárias da região, enquanto as demais chegaram de diferentes partes do país, refletindo a consolidação do Estado como um importante polo de acolhimento para povos indígenas.

A ampliação do acesso ao ensino superior tem se consolidado como uma das estratégias para promover inclusão e ampliar oportunidades. Historicamente afastados da educação formal, especialmente das universidades, os povos indígenas vêm conquistando maior presença nos espaços acadêmicos.

Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, esse movimento se reflete no crescimento do número de estudantes matriculados. Atualmente, a instituição conta com 1.374 acadêmicos indígenas nos cursos de graduação e outros 309 matriculados em programas de pós-graduação, entre mestrado e doutorado. Em uma década, a participação desse público na universidade cresceu mais de 400%.

Os dados foram destacados durante entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta segunda-feira (15). Segundo a reitora da UFMS, Camila Ítavo, o avanço é resultado de uma série de políticas voltadas não apenas ao ingresso, mas também à permanência dos estudantes na universidade.

“A gente tem dois cursos específicos para estudantes indígenas, que são a Licenciatura Intercultural Indígena e a Pedagogia Indígena. São cursos recentes em que o estudante passa um tempo na universidade e um tempo na comunidade indígena. Quando ele vem para a universidade, precisa de toda uma estrutura, e nós oferecemos alojamento, refeitório e copa. Recentemente, também conseguimos entregar um laboratório de informática e ampliar o alojamento, que hoje tem capacidade para mais de 200 estudantes”, afirmou.

A ampliação das políticas voltadas aos povos indígenas por meio do Programa UFMS Indígena foi apresentada na última semana durante a visita do secretário-executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini. Durante a entrevista, a reitora destacou que as ações desenvolvidas pela universidade buscam atender às especificidades desse público, incluindo iniciativas voltadas à permanência de estudantes que conciliam a vida acadêmica com a maternidade.

“Muitas mães vêm com seus filhos, por isso, lançamos um alojamento específico para elas, com sala de amamentação. São cursos que apresentam uma das maiores taxas de sucesso da universidade. Os estudantes ingressam, concluem a formação e retornam levando desenvolvimento, conhecimento e fortalecendo suas comunidades”, ressaltou.

Por Maria Luiza Massulo

Assista a entrevista na íntegra:

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