Busca por ajuda contra vício em apostas cresce 140% no SUS e especialistas alertam riscos da doença

Foto: Magnific

A Ludopatia ou jogo patológico é o transtorno mental associado ao vício em jogos de azar. Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença adquiriu uma nova forma a partir da popularização de apostas esportivas ou jogos de azar online. 

As chamadas “bets” atraem usuários a partir de anúncios chamativos e “odds” altas, sempre em busca de prender a atenção do apostador. À medida que as apostas são feitas, o passatempo pode se tornar um vício e ter o mesmo efeito no cérebro do indivíduo que a dependência química, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria. 

Em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados realizada em maio, o Ministério da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde registrou crescimento de quase 140% nos índices de busca por ajuda contra a Ludopatia. 

Segundo o Diretor Técnico do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do Aero Rancho, o Médico Psiquiatra Fernando de Freitas Monteiro, o jogo patológico torna a prática de apostas uma atividade central na vida do indivíduo.  Ao Grupo Hora, o Doutor explicou o efeito do vício em apostas no cérebro do indivíduo. 

“É uma doença que passa por uma dificuldade de controle dos impulsos, principalmente o impulso de jogar. O cérebro acaba associando o jogo à sensação de prazer e com o tempo, esse comportamento começa a se tornar centralizador na vida da pessoa, a ponto de que ela não consegue mais viver sem o jogo e toda a vida dela começa a ser trabalhada naquele comportamento da aposta”, explicou.

Ainda segundo o Doutor, a Ludopatia é uma doença que precisa de tratamento especializado e multiprofissional, envolvendo principalmente psicólogos. Segundo ele, ainda pode ser necessária a ajuda de assistentes sociais, já que muitas vezes o vício em apostas pode vir acompanhado de outras doenças e de transtornos sociais. 

“Um exemplo muito típico é uma pessoa que tem transtorno de jogo e que também tem um transtorno de depressão grave. Se a gente não tratar as duas coisas de maneira correta ela não vai melhorar de nenhuma delas, então a gente precisa lançar mão da ação de vários profissionais para ajudar essa pessoa a se recuperar”

O tratamento nem sempre é simples, podendo ser levado em consideração o processo de endividamento, isolamento social e outros problemas de saúde que a pessoa pode desenvolver em decorrência do jogo.

O SUS oferece o serviço de teleatendimento para pessoas com vícios em jogos e apostas. O atendimento é gratuito, voltado a maiores de 18 anos e ainda contempla a rede de apoio às vítimas do vício A ação é disponibilizada pelo app Meu SUS Digital.

Além do serviço de atendimento pelo SUS, o Ministério da Fazenda também oferece o serviço de autoexclusão de sites de apostas. A ação é realizada pelo Ministério da Fazenda. Segundo o mesmo, mais de 500 mil pessoas já solicitaram o pedido de exclusão cadastral dos sites de apostas. 

Por Reuel Oliveira

Leia outras produções do Grupo Hora
Leia mais de Saúde