Interventor esclarece pedido de aportes e afirma que Consórcio já dependia dos recursos antes da intervenção

Interventor-geral, Alexandro Oliveira, no estúdio do Grupo Hora. Foto: Reuel Oliveira

Os administradores do Consórcio Guaicurus vinham realizando, há pelo menos seis meses, aportes financeiros de aproximadamente R$ 3,4 milhões por mês para manter o funcionamento da empresa. Os recursos, provenientes dos próprios sócios, eram utilizados para custear despesas operacionais e garantir o pagamento da folha salarial.

Segundo o interventor-geral do contrato de concessão, Aléxandro Oliveira, a prática já ocorria antes da intervenção e foi identificada pela equipe responsável pela administração temporária do consórcio.

Diante de uma dívida acumulada de cerca de R$ 20 milhões, a comissão interventora solicitou à empresa um cronograma desses aportes, com o objetivo de assegurar a continuidade do transporte coletivo, considerado um serviço essencial para a população de Campo Grande.

Em entrevista ao Jornal da Hora, na manhã desta sexta-feira (17), Aléxandro Oliveira explicou que o pedido não representa uma exigência de novos investimentos por parte dos sócios, mas sim a manutenção de uma prática que já vinha sendo adotada pela empresa.

“A questão do aporte foi trazida à tona pela própria empresa, dizendo que os interventores pediram o aporte. Não é bem isso que aconteceu. Nós constatamos que a empresa vinha fazendo aportes regulares, trazendo dinheiro dos próprios sócios para que o serviço não parasse e para cobrir a folha de pagamento. Por isso, a equipe pediu uma programação para entender se isso vai continuar. Nós estamos entrando como gestores da empresa e, se isso já vinha sendo feito, por que vai parar agora? Existe até uma questão de responsabilidade”, afirmou.

O interventor também ressaltou que, apesar de afastados da administração durante o período de intervenção, os sócios permanecem como proprietários do Consórcio Guaicurus e continuam responsáveis pela empresa. 

“Assim como o município tem responsabilidades com eles, no repasse de subsídios, eles continuam tendo responsabilidade sim pelo serviço, pela qualidade do serviço. A única coisa é que a gente está atuando lá excepcionalmente”, conclui.

Ainda durante a entrevista, Aléxandro declarou não acreditar que a situação possa chegar ao extremo de culminar na caducidade do contrato, mas caso isso aconteça existem possibilidades para lidar com o problema, todas elas preveem a continuidade do serviço de transporte público, sem nenhum tipo de prejuizo à população.

Assista a entrevista na íntegra:

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