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Em um Brasil cada vez mais conectado, envelhecer também passou a significar aprender a navegar no mundo digital. Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 70% das pessoas acima dos 60 anos utilizaram a internet em 2024. O número revela uma transformação silenciosa: a terceira idade entrou de vez no ambiente virtual, ainda que nem sempre preparada para lidar com ele.
Aplicativos bancários, mensagens instantâneas, chamadas de vídeo, redes sociais, consultas médicas online e até serviços públicos migraram para a palma da mão. Mas junto da praticidade vieram também os riscos, as dúvidas e a sensação constante de vulnerabilidade diante de um universo novo.
Foi observando essas dificuldades no cotidiano que nasceu o projeto Idosos Protegidos e Conectados, desenvolvido pela Associação Estrela Branca, organização sem fins lucrativos localizada nas Moreninhas, em Campo Grande.
Na manhã desta sexta-feira (29), idosos participaram de um encontro de confraternização e apresentação oficial da iniciativa, que pretende oferecer letramento digital para a terceira idade, ensinando desde funções básicas do celular até orientações sobre segurança virtual, inteligência artificial e prevenção de golpes.
A proposta surgiu a partir do contato direto com os idosos atendidos pela associação. Segundo a professora e personal trainer responsável pela condução das atividades, Carol Hanna, as dificuldades iam muito além da tecnologia em si. Em muitos casos, havia medo de errar, vergonha de perguntar e insegurança para realizar tarefas simples do cotidiano.
“Nós queremos focar bastante em promover segurança para os idosos, para que eles não tenham medo de resolver as questões bancárias, mas fiquem atentos em relação a links no WhatsApp. Estamos preparando cartilhas informativas, apostilas e slides para fazer tudo de uma forma bem didática e devolver autonomia”, explica.
Em um contexto em que golpes virtuais contra idosos crescem em todo o país, compreender como funcionam aplicativos, links suspeitos, mensagens falsas e mecanismos básicos de segurança digital deixou de ser apenas uma habilidade complementar e passou a ser uma necessidade.
A tecnologia, quando compreendida, também aproxima. Permite conversar com familiares distantes, acessar serviços, acompanhar notícias, buscar entretenimento e diminuir o isolamento social, uma das maiores questões enfrentadas pela população idosa.
Um trabalho que começou ajudando
Por trás do projeto está a Associação Estrela Branca, entidade que há 11 anos atua em regiões periféricas de Campo Grande promovendo ações sociais voltadas para famílias em situação de vulnerabilidade econômica e social.
Dirigida por Gilson Natis, a organização atende moradores das Moreninhas, Paulo Coelho Machado, Jardim Los Angeles, Aero Rancho e Homex, oferecendo atividades que vão desde aulas de balé e futebol para crianças até distribuição de alimentos para mais de duas mil famílias da Capital.
A história da associação começou de forma simples, dentro da igreja e impulsionada pela necessidade de ajudar pessoas próximas.
“Eu criei um projeto com alguns jovens e sempre que alguém precisava de alguma coisa ou estava passando por uma necessidade, eu tentava ajudar de alguma forma, até que um amigo decidiu me ajudar e juntos nós formamos a associação, justamente com o objetivo de ajudar pessoas”, relata Gilson.
Com o passar dos anos, o trabalho se expandiu e passou a acompanhar também as transformações da sociedade. E em um tempo em que quase tudo acontece por meio de uma tela, incluir digitalmente os idosos tornou-se também uma forma de inclusão social.
Porque, para quem passou grande parte da vida distante da internet, aprender a usar um celular pode parecer apenas um detalhe. Mas, na prática, representa independência, segurança e pertencimento em um mundo cada vez mais conectado.
Serviço
A Associação Estrela Branca está localizada na Rua Arariba, nº 137, Vila Moreninha I, em Campo Grande.
Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram: @estrelabrancacg
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