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A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Mato Grosso do Sul, na última quinta-feira (25), marcou o anúncio de R$ 313 milhões em investimentos voltados à agricultura familiar e à reforma agrária. Durante agenda em Ponta Porã, o governo federal também realizou a entrega de 1.390 títulos de regularização fundiária no Estado, reforçando a política de fortalecimento da produção rural e da permanência das famílias no campo.
Apesar dos avanços, representantes dos movimentos sociais avaliam que o acesso à terra ainda está distante de atender à demanda existente em Mato Grosso do Sul, considerado um dos estados com maior concentração fundiária do país.
Em entrevista ao Jornal da Hora, Sandra Maria (PT), liderança ligada à agricultura familiar e pré-candidata a deputada estadual, destacou que milhares de famílias ainda aguardam por um lote para produzir e defendeu a ampliação das políticas públicas voltadas ao setor.
Segundo ela, atualmente mais de cinco mil famílias aguardam na fila por um assentamento em Mato Grosso do Sul. O Estado conta com aproximadamente 36 mil famílias assentadas, distribuídas em mais de 200 assentamentos, resultado de um processo de seleção que exige comprovação de experiência no trabalho rural.
Para Sandra, além da distribuição de terras, é necessário garantir condições para que os assentamentos sejam economicamente sustentáveis.
“Para que essa pessoa seja selecionada, ela vai ter que ter comprovação do trabalho rural e acredito que isso vai melhorar o processo de assentamento. O governo precisa apoiar e ter políticas públicas que fortaleçam o desenvolvimento dos assentamentos na produção e na comercialização. Não adianta fazer assentamento para não dar certo. É preciso gerar produção, renda e melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
Produção e permanência no campo
De acordo com Sandra, a reforma agrária precisa ser acompanhada de investimentos que garantam infraestrutura, assistência técnica e acesso ao mercado para as famílias assentadas e atribuiu a lentidão na criação de novos assentamentos ao alto custo das terras em Mato Grosso do Sul, fator que, segundo ela, dificulta a ampliação da política fundiária no Estado.
“A reforma agrária aqui no Estado tem avançado a passos lentos, porque Mato Grosso do Sul é um estado concentrador e a terra é muito cara. Isso torna a implementação de novos assentamentos um processo mais difícil. As famílias continuam aguardando e esperamos que o governo federal consiga avançar ainda este ano, assentando pelo menos quatro ou cinco mil famílias”, declarou.
De acordo com informações apresentadas durante a agenda presidencial, a meta do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar é ampliar a regularização fundiária e beneficiar, até o fim do ano, cerca de 300 mil famílias em todo o país. Para representantes da agricultura familiar, além da entrega de títulos e da criação de novos assentamentos, o fortalecimento da produção, do crédito rural e da comercialização continua sendo determinante para garantir renda às famílias e consolidar a permanência no campo.
Por Maria Luiza Massulo
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Assista a entrevista na íntegra:
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